quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eleitor manda recado aos prefeitos de Grossos, Areia Branca e Baraúna

O eleitor não engoliu a tese de que prefeitos são donos dos votos. Cidades onde se esperava maioria para o governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) não prosperaram nas urnas. É o caso de Grossos, Areia Branca e Baraúna. Administrados por prefeitos que apoiaram o candidato governista, estes três municípios responderam negativamente aos seus gestores. O que deu errado? Poderia aqui citar muitos aspectos, mas vou me ater em apenas um: falta de comando.
Não se pode mais administrar uma cidade pensando ser o dono da população. Quanto mais do voto. O que se pode esperar, no mínimo, é que o eleitor reconheça que o seu prefeito está fazendo um bom trabalho e retribua com o apoio aos seus candidatos. Não foi isso o que aconteceu nestas três cidades.
Em Grossos, o prefeito Veronilde Caetano (PSB) amargou derrota tripla. Não emplacou maioria para o governador, perdeu para o Senado e não deu maioria à sua candidata a deputada federal. Quem se salvou foi a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), que saiu em primeiro lugar nas urnas de Grossos. A deputada federal Sandra Rosado, que foi a vitoriosa nas eleições de 2002 na cidade praiana, caiu para a segunda posição. Perdeu para João Maia (PR).
Com relação ao Senado, a candidata apoiada pelo prefeito ficou no modesto terceiro lugar. Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (DEM) foram os mais votados. Ao Governo do Estado, Rosalba Ciarlini ganhou com uma maioria de mais de dois mil votos.
Significa dizer que o eleitor grossense mandou um recado direto ao prefeito: ou ele muda a tática administrativa ou corre sérios riscos de não eleger o sucessor.
O mesmo ocorreu em Baraúna, onde o prefeito Aldivon Nascimento (PR) chegou a apregoar que seu candidato ao Governo teria 90% dos votos. As urnas mostraram o contrário. Quem obteve esse percentual foi Rosalba Ciarlini.
Em Areia Branca os acordos feitos pelo prefeito Manoel Cunha Neto (PP), o Souza, não foram bem assimilados pelo eleitor. Ele apoiou Iberê Ferreira de Souza. O resultado é que o candidato governista foi derrotado com mais de cinco mil votos de maioria.
Recado mais claro passado pelo eleitor, impossível.

2010 repetiu 2002

Em 5 de agosto passado escrevi neste espaço que o cenário político de 2010 repetiria o resultado de 2002. Naquele ano, o então vice-governador Fernando Freire, que ascendeu ao cargo maior do Rio Grande do Norte, não logrou êxito nas urnas e perdeu para a então ex-prefeita de Natal, Wilma de Faria. É bem verdade que houve um segundo turno. Em 2010, nem isso ocorreu. O governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) perdeu a parada no primeiro turno para a senadora Rosalba Ciarlini (DEM), governadora eleita em 3 de outubro passado.
Os erros da campanha governista já foram dissecados por todos os blogs e jornais impressos do Rio Grande do Norte e seria repetitivo elencá-los aqui. Contudo, pelo momento, é oportuno dizer que da escolha do candidato ao marketing, tudo foi equivocado. Wilma de Faria tinha, como se diz, a faca e o queijo. Não soube usar a lógica e perdeu a fatia. Aliás, as fatias, pois ela também não logrou êxito.
Os erros começaram por Wilma. Cercada por pessoas que passaram imagem de lideranças e a blindaram, talvez com a falsa mensagem de que estariam fazendo o certo. Ora, um administrador não pode ficar refém de liderados que não têm sintonia popular e que destratam e menosprezam a capacidade e a liderança dos outros.
Agora é torcer para que o governo eleito atenda às expectativas do povo. O eleitor captou a promessa de transformação dita por Rosalba Ciarlini. Pelo que Mossoró testemunhou em três administrações de Rosalba, as mudanças devem ocorrer. A começar pelo tratamento ao interior do Estado sendo tratado a pão e água, com ações governamentais entregues a pessoas que não têm interesse no desenvolvimento coletivo.