domingo, 27 de janeiro de 2013

'UERN tem uma estrutura arcaica, burocrática e centralizada'

O professor-doutor Gilton Sampaio, diretor do Campus de Pau dos Ferros da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e candidato à Reitoria da instituição, conversou com o blog sobre temas variados. A entrevista segue abaixo:



Estamos há pouco menos de dois meses das eleições à Reitoria da UERN. O fato de ser diretor do Campus de Pau dos Ferros, distante da realidade do Campus Central, seria um problema?
Pelo contrário, o fato de ser Diretor de um Campus Avançado, o maior da UERN, e estar permanentemente enfrentando e buscando solucionar problemas que envolvem o dia a dia dos alunos, dos técnicos administrativos e dos docentes, nos permite conhecer mais de perto as questões acadêmicas que envolvem departamentos e salas de aula e ainda as questões administrativas com as quais precisamos lidar diariamente. É exatamente o fato de ser Diretor de uma unidade acadêmica da UERN o que me torna mais próximo, e em permanente diálogo, com todas as demais unidades acadêmicas da UERN, em todos os Campi e faculdades, com suas direções e segmentos acadêmicos, em reuniões frequentes, discutindo os problemas da universidade. Além da experiência como Diretor (já em segunda gestão) também temos experiência como Chefe de Departamento, Coordenador de Cursos de Especialização e como Coordenador do Mestrado Acadêmico em Letras. Conhecemos bem a estrutura administrativa de nossa instituição, pois da UERN fui aluno de graduação e de pós, sou professor e também gestor. Também não vejo a realidade do Campus de Pau dos Ferros, em termos financeiros e das dificuldades enfrentadas, diferente da realidade do Campus Central; os problemas que a UERN vivencia hoje se estendem a todas as Unidades, a todos os Campi Avançados e ao Campus Central, são problemas financeiros, da superburocratização das ações e da centralização das decisões administrativas e financeiras, de falta de recursos para desenvolvimento de pesquisa e extensão, de falta de condições dignas para apoio aos alunos (como Restaurante, Residências, Recursos para eventos do movimento estudantil, aulas práticas e de campo etc), e esses problemas atingem a todos. E esses problemas podem ser vistos no Campus Central, em Mossoró, com parte da infraestrutura sucateada e várias construções paralisadas. A diferença que existe entre o Campus de Pau dos Ferros e o Campus Central, por exemplo, é de gestão. Em Pau dos Ferros, o aluno entra no Campus, vê que é uma estrutura simples, antiga (iniciada na década de 1970), mas ele tem a certeza de que é um local bem cuidado, zelado; que a estrutura física e administrativa está a serviço da academia e do bem-estar do ser humano. Nesse caso, até penso que o Campus de Pau dos Ferros pode ser uma referência, um modelo de gestão que dá certo, para apresentar a toda UERN. Embora saibamos das dificuldades que enfrentamos lá, a gente observa que as pessoas que vem de outros campi da UERN sentem certa surpresa, encantam-se com o nosso Campus, a efervescência acadêmica que ali ocorre. Alunos, professores e técnicos administrativos, em conjunto, doam-se à UERN. Enfim, ressalto que, na campanha eleitoral, também vamos debater o perfil e propostas de uma universidade funcional, democrática, descentralizada, aberta ao diálogo entre os segmentos acadêmicos, e também à sociedade; uma UERN que tenha gestores que respeitem e cuidem do patrimônio material e imaterial da instituição.

O que o levou a entrar na disputa pela Reitoria?
Não é a primeira vez que colocamos nosso nome à disposição da comunidade acadêmica. Na última eleição para Reitor (2009), um grande grupo formado por professores, alunos e técnicos de todos os Campi lançou o nosso nome com uma proposta inovadora para a universidade democrática, descentralizada e que apresente identidade e compromisso efetivo para com o crescimento da UERN, que não pense a UERN como apêndice de outras instituições. Não obtivemos sucesso naquela época, mas voltamos a discutir o projeto recentemente, em coletivo, com um grupo de professores de toda a UERN, em vários momentos e locais. Depois de dezenas de encontros, envolvendo centenas de pessoas, em grandes e pequenas reuniões com grupos de docentes, discentes e técnicos administrativos, assim como em reuniões mais fechadas com os docentes que seriam possíveis candidatos, as pessoas envolvidas na discussão chegaram à conclusão de que o nosso nome reunia as características mais adequadas para dirigir a UERN, pelas propostas que defendíamos, por nossa história de aluno, professor e gestor dentro da UERN, pela experiência de lutas junto ao nosso sindicato, ADUERN, e em lutas das demais entidades representativas, como DCE e SINTAUERN. Na verdade, a nossa entrada na política acadêmica teve início muito cedo, quando eu ainda era aluno da graduação da UERN, no Campus de Pau dos Ferros. Sempre ressalto que meu nome surgiu do movimento estudantil, e, posteriormente, consolidou-se nas lutas da ADUERN, na gestão acadêmica e, sobretudo, na gestão universitária do maior Campus Avançado da UERN. A nossa história de gestão e de liderança universitária se fez também quando fomos chefe do Departamento de Letras, período em que implantamos dois novos cursos de especialização, a habilitação em Espanhol e também foi o momento em que coordenamos a Comissão do Mestrado Acadêmico em Letras da UERN, sendo deste o seu primeiro coordenador. Trabalhamos na implantação dos novos cursos de graduação naquele Campus; primeiro, com uma pesquisa sobre a necessidade e os impactos de novos cursos de graduação para Pau dos Ferros e região; depois, coordenando o Fórum Permanente de Discussão para Implantação de Novos Cursos de graduação no CAMEAM. Na atual disputa, o nosso nome surge como o candidato a Reitor de maior experiência em gestão e como parte dos segmentos da UERN. Sou o único, como disse, que foi aluno de graduação (Pau dos Ferros) e de pós (Mossoró) da UERN; o único que já foi gestor em todos os níveis acadêmicos, sempre eleitos pelos pares, na Chefia de Departamento, na Coordenação de Especializações, na Coordenação de Mestrado e na Direção de um Campus Avançado.  Sou também o único, entre os três candidatos, em que toda nossa experiência de gestão foi em cargos eleitos democraticamente pelos pares. Nossa experiência de gestor não emana do desejo ou do poder da caneta de um gestor maior ou do poder de minha família na sociedade. Ela emana das bases da UERN. Já temos quase 25 anos dentro de nossa universidade. E o nosso nome surgiu nas bases, como desejo de alunos, professores e técnicos administrativos.

A UERN terá orçamento de R$ 217 milhões em 2013 e o seu maior desafio é o custeio. Como fazer para aliar política de desenvolvimento institucional (com novos cursos e necessidade de pessoal) com a demanda para a sua manutenção?
A primeira coisa que posso falar sobre orçamento é que necessitamos urgentemente de autonomia financeira articulada à democratização das decisões internas na UERN, com descentralização administrativa, financeira e acadêmica. A autonomia financeira é decisiva para o futuro da nossa universidade, pois nos dá um mínimo de segurança sobre o que teremos efetivamente de recursos a serem investidos na UERN. Essa articulação entre autonomia financeira, orçamento garantido, democracia interna e descentralização, além de autonomia política, será a base para se pensarem com seriedade questões de muita importância como desenvolvimento institucional, o crescimento na graduação, na pós-graduação e as melhorias salariais e de condições de trabalho e de estudo de seus servidores e alunos. E isso será feito em permanente escuta das demandas advindas da ADUERN, do SINTAUERN e do DCE, dialogando com cada segmento, sempre. Tudo isso representará um salto qualitativo, um novo modelo de universidade, mais democrático, uma ruptura com esse continuísmo que se apresenta hoje na UERN. Esse novo modelo de universidade permitirá que ela seja mais funcional, mais acadêmica, mais democrática, mais justa com a grande maioria, menos centralizada e com condições dignas de trabalho e estudo para os segmentos acadêmicos.

O que fazer para incrementar cursos e, ao mesmo tempo, fazer com que a Universidade esteja mais presente na sociedade?
A UERN hoje está presente em todas as regiões do Rio Grande do Norte. Em termos de alunos matriculados na graduação, ela atende também aos vizinhos estados da Paraíba e do Ceará. Mas acho que ela poderia ser mais presente também em termos de formulação de políticas públicas, por exemplo. E essa questão tem ligação com a falta de autonomia das unidades. Vejo outras instituições, que funcionam de forma independente, desenvolverem ações que não temos como fazer aqui. A UERN já atingiu a marca dos 200 doutores, mas, mesmo assim, ainda é muito tímida em nível de Pesquisa e Pós-Graduação. Não há recursos no orçamento da UERN para pesquisa assim como os Programas de Pós-Graduação vivem na dependência dos recursos federais. Não há uma política arrojada de financiamento de pesquisa em nossa universidade. E o pior, os nossos pesquisadores, quando captam recursos externos, federais, sempre enfrentam dificuldades para efetivarem suas pesquisas, por exemplo, porque não há uma política de apoio nem uma valorização efetiva da pesquisa e da pós-graduação stricto sensu. Pelo contrário, há uma superburocratização que muitas vezes retira dos pesquisadores o desejo de captar recursos. Além disso, há barreiras na UERN, sobretudo na área de Pós-Graduação lato sensu, das Especializações, que impedem muitas vezes os nossos departamentos de oferecem especializações públicas e gratuitas. Os departamentos que não dispõem de doutores para pensar em Mestrado, por exemplo, ficam quase impossibilitados de oferecem uma Especialização, pois não há nenhum apoio para essa ação. A não ser que seja paga. E como ficam os alunos que desejam fazer uma especialização e não podem pagar por ela?  Sem fortalecimento da pesquisa, da pós-graduação e da extensão, a inserção na sociedade fica cada vez mais difícil. E é isso que está ocorrendo. Acrescente a isso outras questões, como: qual é a nossa política eletiva e debate de questões centrais para educação básica, conduzidas pela UERN? Qual é a nossa política para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte? Nós temos profissionais em diversas áreas que podem ser aproveitados e junto a outros, de outras instituições, pensarem, articularem e implementarem projetos diferentes para uma sociedade diferente, mais democrática, mais ética. É preciso atuar de forma mais concreta na construção de uma sociedade melhor para todos nós cidadãos. A UERN não é a-sociedade; ela não é anti-social. Pelo contrário. Ela é um espaço privilegiado de relações sociais, de projetos coletivos, de produção e de disseminação do conhecimento. E vamos dar maior visibilidade a essas questões também, que muito beneficiará a sociedade.

Como o senhor avalia a política extensionista atual?
A UERN é uma instituição extremamente burocrática, que até aqui não conseguiu construir a bandeira de academia. Essa postura interfere diretamente nas chamadas atividades fins, no tripé ensino-pesquisa-extensão. Com ações isoladas e sem recursos garantidos, os professores vão produzindo o que podem, com muito esforço e quase nenhum incentivo, são ações pontuais, importantes, mas sem o devido reconhecimento institucional. Algumas ações até tem conseguido atingir um público amplo e realizado seus objetivos, entretanto, são ações que precisam ser integradas em um projeto maior de universidade. Vamos mudar isso. Queremos que o eixo ensino-pesquisa-extensão possa ser concebido pelas políticas públicas. É preciso uma Extensão forte e competitiva e que esteja antenada com outros setores para captação de recursos. Para isso necessário se faz o envolvimento de todos os Campi da UERN. Hoje, por exemplo, muitos estudantes e professores dos Campi e Núcleos da UERN não participam equitativamente de atividades de extensão e de pesquisa e isso é um débito da instituição para com a comunidade acadêmica. Será nossa luta por recursos internos, externos e com regularidade para extensão. É preciso garantir orçamento, carga-horária docente e técnica, programas e ações, em plena articulação entre os departamentos acadêmicos, unidades e a sociedade. Não podemos continuar com a atual política do acaso, sem valorizar a extensão, ela é uma das atividades centrais de uma universidade e não pode ser a prima pobre, pouco falada e pouco valorizada, como é atualmente na UERN.

Os cursos de Mestrado e Doutorado são suficientes para atender a demanda e às exigências do MEC?
Como posto no Plano de Desenvolvimento Institucional da UERN (PDI), em  seu contexto institucional se apresenta como desafio o fato de que, para manter o status de universidade, a UERN requer a institucionalização da pesquisa e a criação de cursos de pós-graduação stricto sensu, como forma de verticalização do conhecimento. Embora concordemos com o exposto no plano, acreditamos que não basta a UERN implantar cursos de pós-graduação para atender as demandas do MEC e da CAPES. Necessário se faz que a instituição favoreça condições de funcionamento desses cursos com a devida qualidade. Condições essas que passam, por exemplo, por dispor uma biblioteca com acervo, com quantidade e qualidade na área, como também laboratórios, bibliotecários, vistos hoje como aspectos prioritários para atender à demanda do MEC, sobretudo no quesito melhoria dos cursos e continuidade destes bem conceituados. Portanto, será nosso propósito de gestão investir na pesquisa desde a graduação como atividade que produz conhecimento, como parte formativa do aluno, em qualquer nível, e que fomenta a pós-graduação, bem como investir na qualidade do ensino de graduação (que tem sido pouco falado em nossa instituição, às vezes até negligenciado, não dando as condições necessárias para que os alunos possam permanecer na UERN o dia inteiro, por exemplo), visto que a UERN obteve conceito 3 na avaliação do INEP, numa escala que vai de 1 a 5, sendo aprovada e considerada suficiente, porém como uma instituição mediana. Como consequência desse resultado mediano, a UERN assumiu o patamar de única IES pública do RN com esse conceito, já que as demais instituições públicas (UFRN, UFERSA e IFRN) obtiverem conceito 4, sendo consideradas muito boas. Com isso, concluímos que a criação de Mestrado e Doutorado não se constitui por si só suficiente no atendimento das exigências do MEC, pois há muitos desafios para futura gestão. E não podemos pensar em uma pós-graduação de qualidade sem uma graduação de qualidade. Toda ação de uma universidade só se sustenta se tivermos uma graduação de qualidade. E aqui é onde a UERN tem menos investido. Pela experiência que temos também com a graduação, em departamentos e direção de Campus, sabemos o quanto não podemos fazer discursos exclusivos para Mestrados e Doutorados como se, isolados, estes transformassem a nossa universidade. É preciso conhecer a graduação, conhecer as dificuldades dos alunos, de transportes, de alimentação, de atividades de campo, seus problemas e potencialidades, para poder transformar a UERN numa universidade do tamanho de nossos sonhos. Sem graduação forte, não existirá jamais uma UERN forte.

Qual será o principal desafio da próxima gestão?
Os desafios são muitos, mas, como dissemos, a UERN tem uma estrutura arcaica, burocrática e centralizada. E o maior desafio é superar esse problema sério, evitar o continuísmo desse modelo de gestão que impede o crescimento real de nossa universidade. Desburocratizar os setores administrativos e descentralizar poderes e recursos serão os pontos-chave da nossa gestão. Não podemos nos contentar com uma Universidade em que fortes são somente os poderes das canetas centralizadas em gabinetes de pró-reitorias, traçando isoladamente os destinos de milhares de vidas, de quase todas as ações acadêmicas e administrativas de nossa universidade. A última avaliação do MEC, na qual a UERN obteve conceito 3, como dito anteriormente, expressa, dentre outras questões, que há a necessidade e a urgência de maiores investimentos financeiros na qualidade do ensino que oferecemos hoje à sociedade, nos recursos humanos, nos nossos profissionais e nos estudantes. E o problema não é somente ter muitos doutores, como muitas vezes sugerem os gestores. Na FANAT, a “faculdade dos doutores”, como é chamada, o Curso de Física obteve Conceito 2 no MEC. Foi reprovado. E é um dos cursos que tem mais doutores, proporcionalmente, na UERN. Mas onde está o problema? A Administração Superior preferiu não discutir abertamente a questão, com a comunidade acadêmica. Silenciamento total. Mas quem são os alunos de Física? Como eles viajam até o Campus Central, em Mossoró? Como se alimentam na instituição? Há locais para eles permanecerem no Campus a semana toda e frequentarem os laboratórios modernos dos pesquisados, geralmente construídos com recursos captados externamente? Como são financiadas as viagens dos alunos para os eventos científicos no Brasil e fora dele? Citei Física, porque este curso serve de exemplo para todos nós. E se tornou emblemático por revelar um grande mal que assola a nossa instituição, que é a falta de apoio aos alunos da graduação. Precisamos, em caráter de urgência, dar condições dignas para que os alunos estudem, para que os professores ensinem e para que os técnicos administrativos trabalhem.  É tão importante termos doutores e pós-doutores em Física como termos as Residências Universitárias, Restaurante, Transportes coletivos, recursos para alunos, docentes e técnicos participem de eventos de interesse de seu curso, de sua formação, de seu trabalho. Essa avaliação do MEC expressa também a necessidade e a urgência de se pensar administrativamente uma UERN diferente, que valorize e garanta as condições objetivas de ensino e aprendizagem, com espaços apropriados; uma UERN mais acadêmica, democrática, descentralizada e funcional, em que os poderes estejam de fato nas unidades acadêmicas e departamentais; uma UERN em que a burocracia interna funcione e esteja sempre a serviço do crescimento da própria universidade e do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Como podemos pensar numa universidade de qualidade se a maioria de seus alunos não tem direito a aulas práticas, a aulas de campo, à participação em eventos acadêmico-científicos, à participação no movimento estudantil etc, pois não há ônibus (um único, para toda UERN, em condições precárias), não há micro-ônibus, para conduzirem os mesmos, não há recursos para financiar as viagens dos alunos? Se grande parte da infraestrutura está sem manutenção, deteriorada, até com parte dela interditada, sem condições de funcionamento? Se alunos com deficiência física, por exemplo, não podem ter acesso a Laboratórios, salas de aula do curso etc, por não ter acessibilidade ou faltarem equipamentos adequados? Como podemos pensar numa universidade de qualidade em que seus docentes não dispõem de recursos para financiar suas pesquisas nem tampouco para apresentar os resultados destas em eventos acadêmico-científicos ou em associações ou sociedades da área? Podemos mesmo pensar em uma universidade de alta qualidade se a única forma de termos financiamento para pesquisas é captando recursos externos? Se as bolsas existentes para os alunos são poucas e com distribuição muito questionada por docentes de diferentes unidades acadêmicas, por serem centralizadas? Se os professores, para participarem de eventos acadêmicos, em sua grande maioria, não tem nenhuma garantia de apoio institucional? A luta e a responsabilidade por uma universidade de excelência é a luta de Gilton Sampaio e Lucio Ney, e é a luta dos segmentos que nos apoiam.

É possível transferir a Reitoria para o Campus Central?
É possível, sim, mas não vejo essa questão como prioridade agora. Todos os recursos da UERN devem e serão investidos para a melhoria da qualidade do ensino, nas unidades acadêmicas, em todos os campi. De imediato, as prioridades na área de infraestrutura são para as salas de aula, para os laboratórios etc. No Campus Central, temos o bloco da FANAT e o da FALA para concluir, por exemplo, e temos ainda os Campi de Caicó e de Natal com obras paradas, além da necessidade de manutenção e de novas construções necessárias ao funcionamento dos Campi de Assu, Patu e Pau dos Ferros.

No campo da pesquisa, como o senhor  - caso seja eleita reitor - faria para direcionar o saber acadêmico em benefício da economia regional, já que temos o sal, ferro e petróleo como principais eixos econômicos?
A UERN é a Instituição de Ensino Superior que tem maior atuação no Estado do Rio Grande do Norte, sobretudo no interior, em virtude da sua localização geográfica. Porém, a falta de articulação e mobilização políticas internas e a ausência de um planejamento financeiro e administrativo descentralizado impedem uma participação e uma contribuição maior dos pesquisadores em questões mais concretas, de intervenção direta na sociedade, seja em questões econômicas, seja em outras questões. Em termos da pesquisa propriamente dita, falta investimento, faltam recursos para que os pesquisadores possam avançar em suas pesquisas acadêmicas a ponto de as mesmas poderem dar efetivas contribuições ao setor produtivo e à formação humanística de nossos cidadãos. Os alunos envolvidos em pesquisa representam um número ínfimo. Universidade de qualidade só existe se houver investimentos nos recursos humanos e no financiamento efetivo (pelo próprio orçamento) de suas atividades-fins (no ensino, na pesquisa e na extensão) e quando houver descentralização financeira, acadêmica e de gestão. É isso que iremos fazer.

A política dos Núcleos Avançados de Educação Superior deve ser mantida?
Sempre fui favorável à expansão do ensino superior, à sua interiorização, principalmente. O acesso a jovens do interior, em sua maioria, carentes, que provavelmente não teriam como ingressar em curso superior que não fosse através da existência de um Núcleo ou Campus Avançado no seu município ou em cidade próxima já faz com que eu seja favorável à existência dos Núcleos. Entretanto, muita coisa precisa ser revista; oferecer no núcleo apenas as atividades de ensino, por exemplo, reduz a qualidade da formação daqueles alunos. É preciso reestruturar a política dos núcleos, encontrar uma forma que possibilite ao aluno do núcleo ter acesso às atividades de pesquisa e extensão, à participação nos eventos, enfim a todos os mecanismos necessários a uma formação de qualidade. Claro, essa reestruturação também precisa otimizar os recursos financeiros, uma maior participação dos parceiros, de forma a não onerar mais ainda a instituição, sem acréscimo de recursos financeiros. É preciso buscar/otimizar as parcerias com as prefeituras, com o Estado do RN e com o Governo Federal; os municípios precisam garantir as contrapartidas e entrar, junto com a Reitoria, Unidades Acadêmicas e Departamentos, na articulação de outros parceiros públicos, no estado e em Brasília. Junto, alunos, técnicos administrativos, docentes e sociedade, faremos uma nova UERN, com um Modelo Democrático e Descentralizado de Gestão Universitária; uma UERN do tamanho de nossos sonhos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

'Quer vir, venha' sairá no sábado de carnaval

E, diante do quadro de calamidade pública devido à estiagem que se abateu sobre o Rio Grande do Norte, Prefeituras estão impossibilitadas de investirem à realização do Carnaval. Em Grossos, por exemplo, a folia será comandada pelos blocos. Um deles, o "Quer vir, venha", tem o diferencial: é à fantasia.

O folião que quiser, basta acompanhar o bloco, que sairá da Prainha, animado pela orquestra de frevo e ao som de paredões. Será no sábado de Carnaval, a partir das 18h.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Parceria é a palavra de ordem para prefeitos

A palavra de ordem para os novos prefeitos é parceria. O convite da presidente Dilma Rousseff (PT) endereçado aos prefeitos brasileiros evidencia bem essa afirmação. Até porque qualquer crise que possa afetar o Governo Federal começa, necessariamente, nos municípios. Tal qual uma bola de neve.

Diante dessa realidade, a junção de esforços parece ser o caminho mais correto para os gestores.

No caso específico do Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) sabe perfeitamente que precisa firmar parcerias com as Prefeituras Municipais. Com mais afinco em relação aos municípios de pequeno porte. No Oeste, por exemplo, o blog cita Tibau e Grossos. São cidades praianas, com potencial turístico considerável, mas que sozinhas não têm condições de desenvolverem grandes ações.

Rosalba já disse que não fará distinção política. No caso de Tibau, o prefeito Naldinho, que é do PSD - do vice-governador Robinson Faria - deve correr atrás. Não tem que esperar o apoio aparecer. Já em Grossos, onde o prefeito José Maurício Filho é do PMDB - aliado, portanto, da governadora - a situação, em tese, se mostra mais confortável. Mas o peemedebista também deve procurar o suporte do Governo para concretizar grandes ações.

É sabido que as Prefeituras Municipais, por mais boas intenções que tenham seus prefeitos, não têm como arcar com tudo sozinhas. As obrigações são enormes e a Justiça está cada vez mais atenta às imperfeições administrativas que possam surgir. Tem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e os servidores estão, também, cada vez mais conscientes de seus direitos. Tanto que sindicatos estão sendo organizados em Grossos e Tibau, bem como em diversas cidades do Oeste.

Os prefeitos devem aproveitar a boa fase que virá para o Governo do Estado com o projeto RN Sustentável, para o qual a governadora Rosalba Ciarlini anuncia investimento na ordem de R$ 1 bilhão. Portanto, prefeitos, é hora de correr atrás do governo, apresentar projetos e garantir desenvolvimento aos seus municípios. Ganham pontos e pavimentam caminho para posterior reeleição. É só querer.

Bolsistas da UERN estão sem receber pagamento

Quando o blog comentou, em postagem abaixo, que os problemas estavam dentro da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e que estes precisariam ser resolvidos antes de se apontar fatores externos, o fez com propriedade. A dessintonia estrutural é um desses problemas que acarreta mais uma leva de questões negativas.

Um exemplo dessa ramificação diz respeito ao atraso no pagamento de bolsas no valor de R$ 200,00 a 47 estudantes universitários que se envolveram em projetos da UERN. De acordo com o processo 7977/2012, a Universidade está há exatos 63 dias de atraso ao pagamento dos bolsistas.

A questão é que alguns deles já se graduaram e ficaram sem receber pagamento. Trabalharam, se empenharam nas funções para as quais se propuseram a desenvolver, mas a Instituição não cumpriu a sua parte.

Do processo em questão, já foi feito um reprotocolamento de um processo anterior, que é o 7576/2010, datado de 11 de novembro de 2010. Entende-se que falta se elencar a prioridade. 

Nesse caso específico, como ficará a situação dos alunos que já se graduaram? Receberão os valores devidos? Quando e como?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cláudia cumpre agenda em Brasília

A prefeita Cláudia Regina (DEM) terá agenda cheia em Brasília na próxima semana, quando participará de reunião convocada pela presidente Dilma Rousseff (PT) com todos os prefeitos brasileiros. A prefeita democrata viaja no domingo e na segunda-feira terá encontro com o ministro da Previdência Social, senador licenciado Garibaldi Alves Filho (PMDB).

O blog foi informado que a agenda de Cláudia na capital Federal está sendo montada em Brasília mesmo. Ela deve ir aos ministérios em busca de parceria, bem como acompanhar projetos que estão em andamento.

Francisco Carlos oficializará apoio a Pedro Fernandes

O blog recebeu a informação, agora a pouco, que o vereador e professor universitário Francisco Carlos (PV) irá anunciar hoje o seu apoio ao professor Pedro Fernandes, candidato à Reitoria da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. O ato ocorrerá às 15h30, no comitê de campanha de Pedro, localizado em frente à Panificadora 2001.

Falta d'água, calor e sofrimento

Ai de nós, mortais, se não chover! A temperatura está mais do que quente. Queima até os neurônios. A última reunião dos meteorologistas, em outubro passado em Campina Grande/PB, as informações passadas não foram nada alvissareiras. Agora, em Fortaleza, mais um encontro está acontecendo e se terá, até o final da semana, mais uma análise.

Caso não sejam boas as previsões, estamos lascados. Até parece que determinada candidata à Prefeitura de Mossoró estava prevendo o pior quando propôs instalação de centrais de ar nas paradas de ônibus da cidade.

O tempo fica nublado, mas não cai uma gotinha de chuva. Para complicar a situação, bairros inteiros enfrentam problemas no abastecimento d'água, o que obriga o cidadão a racionalizar, ao máximo, o consumo do produto. Um sofrimento só.

'Tudo é Carnaval' vai resgatar tradições locais


Com o auditório da Estação das Artes Elizeu Ventania lotado e a animação de carnavalescos fantasiados e da Banda Municipal Artur Paraguai, a prefeita de Mossoró, Cláudia Regina, lançou na tarde  de ontem , 22, o Carnaval 2013. Com o tema “Tudo é carnaval”, a festa será um grande resgate da tradição carnavalesca da cidade e um momento de alegria e descontração para todos os mossoroenses.


Do dia 1 ao dia 12 de fevereiro, diversas atividades vão animar os foliões, com festas espalhadas pelos bairros da cidade. Os bailes Municipal e das Mariposas, abrem a programação do carnaval 2013, no dia 1. (confira programação).



A prefeita Cláudia Regina confirmou o empenh o da Prefeitura em realizar uma festa que agrade aos mossoroenses e às pessoas que vem de outras cidades. “Firmamos o compromisso de fazer esta festa tradicional, dentro das nossas condições, porque não podemos deixar o mossoroense orfão desta alegria, desta festa popular tão tradicional. Temos uma história com o Carnaval e precisamos fortalecer este aspecto cultural”, disse. Destacando a proposta de tornar o carnaval de Mossoró um evento tão grande quanto outros que já existem na cidade, Cláudia disse que o evento deste ano será um primeiro passo para que em 2014 uma festa maior seja realizada. “Vamos mostrar a alegria do povo mossoroense”, completou.



A Prefeitura vai investir R$ 400 mil, sendo R$ 150 mil destinados à ajuda de custo às agremiações. O pagamento já está programado para esta sexta-feira, dia 25, &agrav e;s 15h, na Secretaria da Fazenda.



Uma das novidades desse ano é a “Vitrine de Carnaval”, que acontecerá no dia 2 de Fevereiro, na Praça Rodolfo Fernandes. O evento pretende reunir todos os carnavalescos numa festa que vai apresentar à sociedade toda a programação e destacar a necessidade da preservação das tradições carnavalescas.



O secretário da Cultura, Gustavo Rosado, ressaltou o sucesso do evento e da parceria do poder público municipal com os carnavalescos. Ele falou de parcerias privadas que vão apoiar a festa através de patrocínios. “Contamos com todos para fazer dessa programação um grande evento. Recebemos este desafio e vamos, juntos, fazer uma grande Carnaval para todos os mossoroenses”, disse.



Participaram também do lançamento do Carnaval 2013, os vereadores Francisco Carlos, Alex do Frango, Celso Lanches, Alex Moacir e Ricardo de Dodoca, além dos secretários municipais da Comunicação, Julierme Torres, do Desenvolvimento Social, Patrícia Leite, o subsecretário do Trabalho, Turismo, Indústria e Comércio, Segundo Paula, e o Oficial de Relacionamento Institucional, Petras Vinicius.



CONCURSOS – As inscrições para os concursos do carnaval de Mossoró seguem até o dia 31 de janeiro. Os interessados devem se dirigir à Sala de Eventos da Secretaria da Cultura, localizada na Rua Pedro Alves Cabral, 01, Bairro Aeroporto.



Serão realizados os concursos de Rei e Rainha, Fantasia Luxo e Originalidade, Blocos de Frevo, Tribo de Índios, Maracatu e Escolas de Samba. Segundo consta no Edital, poderão se inscrever, além de representantes das agremiações carnavalescas, pessoa física não vincula da a grupos carnavalescos desde que preencha os critérios do concurso.



Confira o edital dos concursos de carnaval na edição do dia 11 de janeiro de 2013 no Jornal Oficial de Mossoró (JOM), disponível no site www.prefeiturademossoro.com.br



NÚMEROS – A festa do Carnaval de Mossoró conta com 35 agremiações, entre escolas de samba, blocos, índios, maracatus e troças. Entre bailes e prévias carnavalescas serão realizados 25 eventos.



PROGRAMAÇÃO -



Baile Municipal - Escolha do Rei e da Rainha e Concurso de Fantasias
01/02, às 20h 
Ginásio Poliesportivo Pedro Ciarlini



Baile da Saúde Mental
01/02, às 09h
Hospital São Camilo



Baile das Mariposas
01/02, às 0h
Clube Carcará



Resolva Sua Vida
02/02, às 16h
Rua Amaro Duarte (Nova Betania)



Baile de Máscaras
02/02, às 21h
Requinte Buffet



Ilha Folia
(02/02) às 20h
Rua General Pericles (Ilha de Santa Luzia)



Camarote Pablo Ryth
02/02, às 20h
Rua Benício Filho (Ilha Santa Luzia)



Vitrine de Carnaval
02/02
Das 10h às 16h
Praça Rodolfo Fernandes



Só no Sapatinho
02/02, às 16h
Rua Croack de Sá (Bom Jardim)



Mamãe Dolores
03/02, às 17h
Rua Dracon de Albuquerque (Abolição I)



É ou não é
03/02, &agr ave;s 15h
Rua Epitácio Pessoa (Bom Jardim)



Batendo o Centro
06/02, às 19h
Praça Cícero Dias
(Teatro Dix huit Rosado)



Petifolia
06/02, às 15h
Av. Alberto Maranhão (Barrocas)



Baile Reviver
07/02, às 20h
Oba Restaurante



Carnajucas
07/02, às 20h
Rua Silva Jardim (Doze Anos)



Concurso de Ursos
07/02, às 16h
Praça Rodolfo Fernandes



Carnaval da Melhor Idade
07/02, às 15h
AABB



Desfiles de Agremiações Carnavalescas
08/02, às 20h
Av. Nestor Saboya (Estação das Artes)



Filois Folia
08/02, às 18h
R. Pedro Rodrigues da Silva (Alto do Xerem)



Os que Fikaram
09/02, às 12h
Rua São Jerônimo (Sta. Delmira)



Carnacafona
de 09/02 a 12/02, às 17 h
Bar e Restaurante "O Extra"



Zé da Porteira
10/02, às 17h
Rua Afonso Pena (Bom Jardim)



Maria Espaia Brasa
12/02, às 17h
Rua Melo Franco (Santo Antônio)



Sapo da Lagoa
12/02, às 15h
R. Olavo Bilac, 393 (Ilha de Santa Luzia)



CarnaCocota
12/02, às 15h
R. Antônio Rodrigues do Monte, 01 (Redenção)



Carnabuco
13/02, às 19h
Praça Cicero Dias (Teatro Dix-Huit)


Fonte: Secretaria de Comunicação Social

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Analfabetismo político

A jornalista Dora Kramer, colunista de O Estadão, meteu os pés pelas mãos e evidenciou que estava fazendo uma autocrítica ao afirmar que alagoanos e potiguares não possuem "massa crítica" por elegerem Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, respectivamente. Ora, ora... A notinha da colunista é maldosa, infame e preceitua discriminação pura.

Tomando como base o jornal em que ela trabalha, que é sediado em São Paulo, Dora evidencia desconhecer a realidade do próprio Estado. A eleição de Paulo Maluff, por exemplo, à Câmara Federal, seria o quê mesmo? Dizer que seria pelo fato de São Paulo ser "território dominado e desprovido de massa crítica"?

O que falar da eleição do palhaço Tiririca, também por São Paulo, para ocupar vaga na Câmara Federal? Ausência de massa crítica?

Parece que Dora Kramer não conhece a realidade da política brasileira. E ainda: se o RN e Alagoas são estados desprovidos de massa crítica, o que dizer sobre quem elege Maluf, Celso Pitta, Tiririca e tantos outros?

Certamente, se pesar na balança, o analfabetismo político é bem maior. Ou não?

O problema está dentro da UERN

A sucessão na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) pega fogo. Os professores Gilton Sampaio, Pedro Fernandes e Ana Dantas estão na disputa da Reitoria, ocupada hoje pelo professor Milton Marques de Medeiros. E surgem as mais variadas propostas, mas todas se voltam para um só: resolver os problemas da instituição.

O que se evidencia é que, até agora, nenhum reitor conseguiu mudar o cenário. Algo que, efetivamente, não procede. Cada reitor administrou em período diferente. Foram questões diferentes. Contudo, as mesmas questões se voltam agora. O blog cita só uma: autonomia financeira.

Dizem que o Governo do Estado é o principal causador dos problemas da UERN. Algo que o blog não enxerga. Os problemas da UERN são internos. Não adianta apontar culpados fora da instituição se os que estão dentro não são identificados. É só uma questão raciocinar direitinho.

A UERN hoje tem um orçamento que beira os R$ 200 milhões. Quanto vai para a folha de pessoal? O blog ousa dizer que quase tudo, embora não tenha conhecimento da causa. É que a instituição cresceu e a necessidade de pessoal se fez urgente. Mas existem fatores que poderiam ser coibidos dentro para não se correr o risco de se apontar culpados fora.

Existe, por exemplo, departamentos em excesso. Na Faculdade de Serviço Social, apenas um curso. Não faz sentido se ter a Faculdade, o diretor desta e outro diretor para o Departamento. O mesmo se volta para faculdades que contam com apenas um curso: Faculdade de Educação Física, Faculdade de Serviço Social, Faculdade de Direito, Faculdade de Educação (que se apresenta apenas com o curso de Pedagogia).

Como se vê, algo que poderia ser melhor ordenado e estruturado para se evitar desperdício de pessoal e de dinheiro público. Essa economia poderia se voltar ao custeio, por exemplo. Claro que o blog não sabe quanto a UERN usa para manter departamentos, quanto paga a chefes e diretores. Mas, sem dúvida, é algo que merece ser pensado e discutido.

Notas/Notas/Notas/Notas/Notas

2014
A vitória da democrata Cláudia Regina em 7 de outubro passado à Prefeitura de Mossoró encerrou, em tese, um ciclo na política local. E marcou o início de outro, consequentemente. E é aí que mora a questão para embates eleitorais vindouros. 2014 está batendo à porta e, por mais cedo que muitos possam achar, não se fala em outra coisa.

II
Diante dessa constatação, fica a pergunta: como será a participação da prefeita Cláudia Regina nas próximas eleições? Logicamente que ela apoiará a governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Cláudia sabe perfeitamente que a reeleição de Rosalba é a garantia de que ela, a prefeita, poderá administrar a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte e pensar na reeleição.

III
Obviamente, e aqui não se tem nenhuma futurologia. Apenas a lógica. É que a prefeita Cláudia Regina é liderada. Caso a governadora não obtenha sucesso nas urnas em 2014, o caminho mais lógico é a Prefeitura de Mossoró em 2016. Contudo, Rosalba sabe perfeitamente por quais caminhos andar. Sabe onde as pedras atrapalham e tem ciência de como demovê-las. A dúvida é: terá tempo suficiente para tal?

IV
O mossoroense sabe do potencial administrativo da governadora Rosalba Ciarlini. Mas ela enfrenta dificuldades em Natal, maior celeiro eleitoral potiguar. Não que a capital somente tenha poder para decidir a eleição, mas é capaz de colocar obstáculo grande a qualquer candidato. E a governadora sabe perfeitamente que é preciso mudar esse cenário. Daí ela estar focada na capital.

V
Diante disso, volta-se novamente à pergunta inicial: qual será a participação da prefeita Cláudia Regina? O blog entende que a prefeita terá papel importante nas eleições do próximo ano. Claro que ela terá limitações, mas o seu desempenho no primeiro ano de governo será crucial para o resultado das urnas em 2014.

Atenta
A oposição municipal está atenta e qualquer deslize administrativo da prefeita Cláudia Regina pode ser danoso ao projeto governista estadual. Sim, porque Mossoró fará a diferença. Assim como foi nas eleições de 2010. O diferencial, agora, é que Cláudia assumiu a Prefeitura com a prerrogativa da mudança. De apresentar o novo jeito de administrar. E caso esse jeito novo não seja trabalhado como ela apregoou na campanha, o estrago fatalmente será grande em 2014.

Quem apoiar?
Tradicionalmente, a prefeita Cláudia Regina tem apoiado o deputado federal democrata Felipe Maia, filho do senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM. Ocorre que, como prefeita, Cláudia não poderá "comprar" uma briga maior e é aí que surge a dúvida: ela continuará apoiando Felipe ou desviará o foco para o também deputado federal Betinho Rosado (DEM)?


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

E o sertanejo continua a ver a Asa Branca voar

O material exibido no Fantástico, domingo passado, foi de dar dó. Uma delicada e cruel situação por qual passa o sertanejo, que se vê obrigado a viver em um cenário que não está propício a nada. Quanto mais à vida. A reportagem mostrou um quadro que nós, nordestinos, conhecemos. Mas, às vezes por total incoerência ou mesquinhez, fingimos que não sabemos de tal quadro.

Aí, quando a TV exige reportagem focalizando o drama do sertanejo, as imagens chocam. Ainda mais quando se mostra uma realidade conhecida por todos e que todos fazem questão de torná-la perpétua. Fosse diferente, os sistemas de transposição tão propagados pelos governos já teriam saído do papel. Quem não sofre com a falta d'água, não vê sua riqueza - o gado - morrendo de sede e de fome, não sabe o que é aperreio. Ainda mais quando essa riqueza é o único sustento da família.

Certa vez o titular do blog ouviu alguém dizer: "para os políticos, o povo, quanto mais subjugado (dominado), melhor". E parece ser. Quando se fala em subjugar, o blog o faz na sua mais concreta expressão: os governos, seja ele qual for, domina o povo. Mantém a massa alienada e distante de todo e qualquer avanço.

Fosse diferente, a situação do Nordeste brasileiro já seria outra. Claro que avanços aconteceram, e não se pode negar isso. Mas tudo o que foi feito ainda é pouco para que não sejamos obrigados a assistir ou vivenciar cenas como as que foram exibidas pelo Fantástico.

Mas aí alguém pode questionar: "e como é que se muda um cenário de seca?" Realmente fica difícil responder, mas, na pior das hipóteses, os governos deveriam concretizar as tais medidas de convivência com a seca. Até agora, e que me desculpem as autoridades da área, não se ensinou nenhuma convivência com a estiagem.

O que o trabalhador rural sabe é o que a vida ensina. E a vida tem ensinado, até aqui, que o Nordeste continua a ser um pedaço de terra esquecida, onde milhares de famílias se encontram sozinhas, abandonadas e órfãs da atenção governamental.

O que a vida ensina, mostra e evidencia é que se gastou milhares de milhões na transposição do Rio São Francisco e até agora a água não chegou a quem mais precisa. Afinal, o objetivo da transposição é o de proporcionar o desenvolvimento - dentre outros aspectos - á região Nordeste. Até agora, nada de concreto chegou. Quanto mais água. O sertanejo continua vendo a Asa Branca bater asas e voar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cláudia faz o certo: busca parceria para fortalecer ações

O que se lê em blogs dos diversos municípios potiguares são notícias de prefeitos eleitos reclamando de problemas. Ora, se não fosse para resolvê-los, para que o cidadão se candidatou? Sinceramente, algo que não dá para entender. Administrar uma cidade, seja ela qual for, não é fácil. E quem quer ser prefeito ou prefeita deve, antes de tomar decisão, pensar nas responsabilidades que assumirá. Claro que existem exceções, mas não são regras. É o caso de Natal, onde o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) herdou um verdadeiro abacaxi. Como também do Governo do RN, o qual a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) pegou em situação lastimável.

Contudo, não se deve ficar remoendo problemas. É preciso buscar soluções. E mesmo em municípios em que os prefeitos eleitos não enfrentam situações delicadas, a regra é a mesma: buscar parcerias para melhorar serviços e a qualidade destes.

E foi isso que a prefeita Cláudia Regina (DEM) fez nesta sexta-feira. Ela teve audiência com a governadora Rosalba Ciarlini e conseguiu três melhorias (leia informação sobre o assunto no endereço virtual da Prefeitura de Mossoró: www.prefeiturademossoro.com.br). Dois para a educação e um para a saúde. Mas alguém pode dizer: "é pouco para governos aliados." Pode até ser, mas o ato em si demonstra que a parceria envolvendo Governo do Estado e Prefeitura de Mossoró se mostra em sintonia neste começo do governo Cláudia Regina.

O exemplo de Cláudia deveria ser seguido por todos os prefeitos. Em vez de ficar se lamentando, a alternativa que surge mais viável é buscar apoio, parcerias. É bom lembrar que nenhum prefeito consegue administrar, da forma como se apresentou na campanha eleitoral (com referência aqui ao plano de governo), sem que haja parceria.

É certo que o Governo do Estado ainda não firmou parcerias de grande porte com nenhuma Prefeitura do Rio Grande do Norte. Mas também é certo que a governadora sabe que precisa estar mais presente nos municípios. E, crê o blog, isso virá este ano, por meio do programa RN Sustentável.

Rosalba também sabe que é preciso agir e sair em socorro dos prefeitos que, por força da estiagem prolongada, enfrentam o "pão que o diabo amassou". O blog crê, sinceramente, que ela dará esse suporte. Mas os prefeitos também precisam sair de seus gabinetes. Esquecer cores partidárias e defender o tesouro maior de qualquer cidade: o cidadão.



Tudo por uma questão de prioridade

Terra seca. Gado morrendo sem comida e sem água. A seca castiga o Nordeste brasileiro, obrigando milhares de famílias a viver em situação precária, e ainda tem gente esperneando pela não-realização do carnaval em algumas cidades. No caso do Rio Grande do Norte, a situação está calamitosa. O racionamento de água já é orientado, pois não se sabe quando a chuva virá. Até agora, as previsões dos meteorologistas não são boas. E o jeito é continuar à espera, quem sabe, de um milagre.

Os que esperneiam contra a suspensão do carnaval não sabem, talvez, como é a vida no sertão. Não sabem o que é viver, mesmo em tempos normais, em contínuo racionamento. Seja de água ou de comida.

A questão relacionada à suspensão do carnaval nada mais é do que os municípios elegerem prioridades. Não seria justo, ético e moral investir uma dinheirama na contratação de bandas enquanto o cidadão sofre com a falta de água e vê o seu único meio de vida definhar e morrer. Sim, porque é do campo que vem a fartura que chega à mesa de quem tem dinheiro: carne, feijão, arroz, verduras...

Acertadamente, prefeitos que informaram suspender a folia (a informação está no portal www.defato.com) o fizeram com base na premissa de que a vida do trabalhador rural vale mais do que alguns dias de festa. A alegria que seria proporcionada no carnaval, ao ver do blog, se torna pequena diante de uma realidade cruel e que massacra o homem do campo. Já diz o ditado: quem sabe onde o sapato aperta é quem o usa. Ou seja: somente quem sofre com a fome e com a sede é quem vivencia isso. O resto é balela.

Municípios maiores, como Mossoró, por exemplo, terão suas festas. Ocorre que a situação da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte nem chega perto do que se vive, por exemplo, em Almino Afonso. Por aqui ainda se tem água nas torneiras. Em cidades menores, nem isso, pois açudes estão em níveis - quase - impróprios ao consumo humano.

Tudo é só uma questão de prioridade.

Silveira reafirma apoio ao governo do DEM

O encontro esperado entre o vice-governador Robinson Faria – presidente estadual do PSB – e o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, vereador Francisco José da Silveira Júnior (PSD), não ocorreu. Robinson cumpriu agenda política em Mossoró e Tibau na quarta-feira passada, quando se reuniu com a deputada federal Sandra Rosado (PSB) e com a deputada estadual Larissa Rosado (PSB). Na pauta, conversas sobre as eleições de 2014 e nas quais Silveira Júnior deve ter sido comentado.

É que ele declarou rompimento com o grupo de Sandra e oficializou apoio político e administrativo ao governo da democrata Cláudia Regina, prefeita de Mossoró. A decisão não agradou ao vice-governador, que quer uma posição definitiva de Silveira sobre o fato do PSD ser oposição ao DEM e, na segunda maior cidade do RN, estar em sintonia política.

E é algo que o vice-governador deixou bem claro que não quer. Ocorre que os projetos de Robinson e de Silveira Júnior, ao que se configura, são opostos. O desentendimento político entre os dois começou quando da eleição à Mesa Diretora a Câmara Municipal de Mossoró. Silveira teria procurado Robinson para pedir apoio, mas este teria afirmado que nada poderia fazer.

Com isso, Silveira se viu obrigado a procurar abrigo político no grupo governista. Com a prefeita Cláudia Regina (DEM), para mais exatidão. Para se manter na presidência do Legislativo mossoroense, Francisco José Júnior migrou para o ninho governista, fechou apoio político à prefeita e, de quebra, teria assumido compromisso em apoiar a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que se projeta à reeleição.

O repórter conversou com Silveira Júnior na terça-feira última. Um dia antes da vinda do vice-governador Robinson Faria à região Oeste. “Não estou escondido e a minha posição foi clara”, afirmou Silveira, acrescentando que não teria recebido nenhum telefonema do vice-governador relacionado a alguma reunião para discutir a situação do PSD de Mossoró. “Fui informado que ele viria a Mossoró”, disse.
Silveira Júnior afirmou ainda que sua decisão está tomada e que, em tese, não estaria disposto a mudar. 

“Minha decisão está tomada e não abro mão”, comentou, acrescentando que a posição que externou, de apoio político e administrativo à prefeita Cláudia Regina é pessoal, e que ainda irá reunir o diretório local do PSD para saber se o partido seguirá com ele.

Secretário: ‘Acordo político e administrativo com a prefeita’

Sobre as especulações de que teria garantido apoio à governadora Rosalba Ciarlini na reunião que teve com Cláudia Regina (na qual ele obteve apoio da base governista para permanecer na presidência da Câmara Municipal de Mossoró), Silveira Júnior disse: “em nenhum momento falei que iria apoiar Rosalba. Estou com Cláudia (Regina) política e administrativamente, mas falar em 2014 só com os candidatos postos. Não tenho nada contra a governadora e o que for melhor para Mossoró terá o meu voto. Acima dos interesses partidários tem o interesse da cidade”, afirmou.

O repórter tentou conversar com a prefeita Cláudia Regina. O oficial de Relacionamentos Institucionais, Petras Vinícius, atendeu ao telefone e informou que ela estaria em uma reunião e que retornaria a ligação posteriormente, o que não ocorreu.

Um segundo contato foi mantido, mas ele não atendeu. Segundo o secretário de Comunicação Social, Julierme Torres, o tema 2014 não foi citado na reunião da prefeita com Silveira. “O acordo foi administrativo e político com a prefeita”, afirmou.

Fonte: Jornal de Fato

Cláudia Regina e o seu modo de governar

Em 18 dias na Prefeitura de Mossoró, a prefeita Cláudia Regina (DEM) ainda não tem como ser analisada administrativamente. Até pela questão do tempo no governo. Contudo, de cara ela encontrou uma maneira de sobressair: diariamente tem cumprido agenda externa em bairros diferentes. Cláudia ainda não tem obras do seu governo em andamento, mas deixa entender que inspecionará cada serviço executado, bem como as instituições públicas. O que é algo positivo.

Nesses 18 dias, o que se destacou foi a medida tomada pela prefeita com relação ás empresas que exploram o serviço de transporte público em Mossoró. Ao ver do blog, Cláudia agiu acertadamente ao exigir o cumprimento da concessão do serviço. Por outro lado, é preciso dizer que a Prefeitura também tem que fazer a sua parte com relação à mobilidade urbana e maior controle sobre os transportes alternativos. E isso também foi assegurado pela prefeita.

Cláudia Regina mostra que segue fielmente o que propôs quando solicitou que a prefeita Fafá Rosado enviasse, no final do ano passado, projeto de reforma administrativa: as decisões são exclusivamente dela e não tem meio termo. Não se sabe, contudo, até que ponto esse fator pode ser benéfico para a administração.

É que, em toda e qualquer administração, existem notícias boas e ruins. As boas, o gestor atrai para si. Já as não tão boas, os auxiliares acabam sendo postos à prova. Mas não será assim que ocorrerá em Mossoró. A prefeita Cláudia Regina, ao que se mostra, não fará essa distinção e, seja boa ou ruim, a decisão (a que é publicizada) será dela. Algo parecido como uma gestão centralizadora, embora seus auxiliares digam o contrário.

O lado negativo - pois em tudo tem esse aspecto - é que a prefeita está "enclausurada" pelos assessores. Difícil manter contato com Cláudia Regina, diferentemente do que ocorria na pré-campanha e na campanha eleitoral propriamente dita. Seus auxiliares a deixam "presa" em uma redoma, talvez com receio de que alguma pergunta "descabida" seja feita em fora de hora. Mas o blog entende que a prefeita terá que enfrentar esse "problema" (criado, crê o blog, por alguns auxiliares), pois não é possível um administrador se comunicar com a imprensa e com a sociedade apenas por meio de release.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Robinson tem sede de chegar ao Governo

Dia desses os líderes políticos que fazem oposição à governadora Rosalba Ciarlini (DEM) se reuniram na casa do vice-governador Robinson Faria (PSD) para meio dedo de prosa. Foi discutido tudo. Até a formação da chapa que, em tese, enfrentará Rosalba em 2014: Robinson Faria ao Governo, tendo como candidata a vice a deputada estadual Larissa Rosado (PSB). A petista Fátima Bezerra, deputada federal, já foi alçada à condição de candidata ao Senado.

Agora falta somente combinar com quem poderá garantir o sucesso dessa chapa: o eleitor. E, convenhamos, não será tarefa fácil.

Primeiro porque Robinson Faria, apesar de vice-governador, é um ilustre desconhecido na maioria dos municípios potiguares. Em dezembro, por exemplo, quando esteve em Mossoró por ocasião do encerramento da festa de Santa Luzia, padroeira da cidade, ficou isolado. Embora tenha permanecido ao lado da deputada federal Sandra Rosado (PSB), permaneceu no anonimato.

Daí a pergunta: como é que ele vai massificar seu nome para se projetar às eleições de 2014? Robinson pode até ser conhecido... Mas lá no Agreste. Tirando esse fator, tem tanto voto quanto o titular do blog em Mossoró e região: nenhum.

Outra dúvida: será que a deputada estadual Larissa Rosado aceitaria entrar nesse projeto? Ela teve votação expressiva em 7 de outubro passado em Mossoró e perdeu a Prefeitura por pouco. 

Mesmo que não tenha vencido a disputa com a então vereadora Cláudia Regina (DEM), Larissa realmente demonstrou crescimento político inegável. Se obterá sucesso futuramente, isso não se sabe. O certo é que ela deve ter aprendido que não se pode repetir velhas táticas.

Será que ela estaria disposta a deixar de lado uma reeleição quase tranquila para se aventurar em um projeto pessoal do vice-governador?

Sim, porque depois que rompeu politicamente com Rosalba, Robinson Faria não tem feito outra coisa: tentar se viabilizar para disputar o Governo do Estado em 2014.

Mas está muito cedo para se fechar chapas. Tudo pode acontecer. Inclusive nada.